A trajetória de Ojé Braga

 Um dos precursores do candomblé fluminense Onikoi Tavares Braga, nome de batismo de Ojé Braga, nasceu em 1960, no terreiro Taba de Odé, fundado pelos seus pais. A casa de santo era situada na Avenida Brás de Pina, 433. Seu pai se chamava Benicio Tavares Braga, Nozinho de Odé, sacerdote de candomblé da nação jeje que recebeu o orunkó de Odé Omi. Sua mãe é a sacerdotisa Odé Kemi (Virgília Tavares), uma das mais antigas iyalorixás do Rio de Janeiro com 68 anos de iniciada no candomblé. Há registros nos acervos do Centro Cultural Ilê Igbo Agan de documentos de autorização de cultos, além de fotografias de Odé Kemi participando ativamente dos rituais de candomblé na casa de Joãozinho da Gomeia. Devido à perseguição religiosa,racismo e preconceito, em 1964 , os pais de Ojé Braga decidiram mudar o terreiro de localidade. Odé Kemi, uma mulher de vanguarda, sempre sofreu muito preconceito. Formada como professora, administrou aulas de ioruba, quiromancia , música e arte. Escreveu livros sobre a cultura afro-religiosa. Porém, foi muito perseguida por sua crença. Buscando maior autonomia, Odé Kemi se desquitou-se de Odé Omi e fundou seu próprio terreiro, intitulado Filhos de Abaeté, situado no bairro Jardim Metrópoles , na divisa entre São João de Meriti e Duque de Caxias.

Ojé Braga acompanhou a trajetória religiosa de seus pais, sendo que aos 20 anos foi iniciado como Ojé no terreiro Ilê Baba Aboula, Ilha de Itaparica, Bahia.Tratava-se de uma exceção, já que o culto nesta matriz religiosa é muito restrito e seletivo com seus participantes e mais ainda com seus iniciados. No Agboula, Braga foi iniciado pelo Alapini Domingos dos Santos , sobrinho do Alagba Antônio Daniel de Paula.

Em 1982, Ojé Braga chegou ao bairro Olavo Bilac e fundou o terreiro Ilê Igbo Agan, em 1989, na Rua Curuça Lt 32 QD 20, no mesmo bairro. Em seus depoimentos , o sacerdote lembra das dificuldades que enfrentou na região que , por ser próxima do Rio Sarapuí, constituí um terreno de brejo, frequentemente alagadiço. Dificuldades também enfrentadas pelos seus vizinhos. A edificação do terreiro através de doações mudou o espaço físico da circunvizinhança. O asfaltamento da rua onde o terreiro está sitiado e a instalação do primeiro telefone público estão relacionadas a presença da comunidade religiosa. Em suas festas, o terreiro atraí dezenas de adeptos, vizinhos e pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

Ojé Braga , além de sacerdote, é um militante pela preservação dos saberes ancestrais. Sua casa está sempre aberta para receber pesquisadores nacionais e estrangeiros que realizam pesquisas em mais diversas áreas do conhecimento.

Frequentemente, realiza entrevistas para jornais, revistas, rádio e projetos audiovisuais com o objetivo de resgatar , preservar e divulgar conhecimentos culturais sobre o candomblé. Participa de inúmeros projetos sociais e culturais como CEAP, realiza palestras e rodas de conversa.