

A comunidade tradicional de terreiro Ilê Igbo Agan, inserida no espaço físico do Centro
Cultural homônimo à instituição religiosa, pertence à tradição de candomblé egungun, o
culto de ancestrais. Esta comunidade é a única no estado do Rio de Janeiro que possuí
sua origem intrinsecamente relacionada à matriz religiosa na Ilha de Itaparica(Bahia).
Egungun é o nome dado aos ancestrais pelos povos africanos de descendência
iorubana. Alguns adeptos dizem que é, literalmente, “o culto da morte”. No Brasil, o
culto é oriundo da Ilha de Itaparica, no estado da Bahia. A casa de culto mais
conhecida é o Ilê Aboula, localizado em Ponta de Areia. Também conhecida como
Terreiro de Amoreiras. As principais entidades presentes são Babaegun, egungun e
aparakás (espíritos desconhecidos)
É um culto, predominantemente, patriarcal. As mulheres possuem cargos específicos
relacionados à parte do candomblé. Alguns dos principais cargos espirituais masculinos
são: alapini, alaba, ojé, omóisan. Os mais conhecidos sacerdotes foram Eduardo
Daniel de Paula, Domingos dos Santos e Deoscóredes Maximiliano dos Santos (Mestre
Didi -falecido em 2013 e do Terreiro de culto a egungun Asè Asipà, em Salvador).
As casas de culto a egungun são raras. Poucos têm autorização para abrirem casas e
poucos atingem os níveis de alapini e alaba.
Localizado no bairro de Olavo Bilac, em Duque de Caxias, o terreiro Ilê Igbo Agan –
Casa de Babaegun Obaloju foi fundado por Onikoi Tavares Braga, conhecido por Alabá
Ojé Braga, há 26 anos. Ojé Braga foi iniciado no culto por Alapini Domingos dos
Santos, na Ilha de Itaparica há mais de 30 anos.
A importância de Ojé Braga para a preservação do candomblé fluminense é
imensurável. Como sacerdote, Braga participou da abertura de conhecidas casa de
santo do Rio de Janeiro. Em seu terreiro, encontra-se um significativo acervo de
documentos e imagens sobre cultos afro-brasileiros.
Destaca-se também o trabalho social do Ilê Igbo Agan como distribuição de alimentos,
abrigo e ressocialização de pessoas em condição de vulnerabilidade social.
A importante trajetória do Terreiro e de Ojé Braga foram, por diversas vezes,
documentada em jornais, revistas e programas audiovisuais.
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